domingo, 17 de junho de 2012

Agosto


Era noite e esfriava
Banhadas de lua e acinzentadas
As calçadas do centro da cidade
Choravam as agruras de um dia sujo
Transeuntes que cuspiam suas almas
Tísicas e cheias de fuligem
Dos escapes, cannabis,
Um velho que dorme inerte
Com as marquises apagadas em flagelo
Trapos deitados ao vento penetrante
Das noites de agosto
Desgosto dos miseráveis inefáveis
Que se cobrem com o mais gradeado
Dos lençóis da vida
Corpos verticais em petição de morte
Vagam ainda antes que a noite seu último suspiro

Nenhum comentário:

Postar um comentário